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Mistério da matéria escura que explicaria o Universo começa a ser revelado

Thiago Signorini Gonçalves

21/12/2019 04h00

Galáxia UGC 477 é de baixo brilho superficial e pode nos ajudar a entender a matéria escura (ESA/Hubble & Judy Schmidt)

A matéria escura continua sendo um dos grandes mistérios para os cientistas em todo o mundo. Uma substância invisível, mas fundamental para entendermos como o Universo funciona. Agora, com os resultados de um trabalho liderado por Chiara di Paolo, do instituto SISSA, na Itália, estamos um pouco mais perto de compreender como a matéria escura funciona.

Os astrônomos investigaram as chamadas galáxias de baixo brilho superficial, analisando o movimento das estrelas e gás para determinar a quantidade de gravidade ali presente. O que não fosse explicado pela matéria "normal" seria então causado pela matéria escura. Essa é uma das principais formas que temos de estudar a matéria escura desde a década de 70, mas o que os cientistas descobriram agora é que mesmo esse tipo de galáxia parece seguir uma relação universal, o que indicaria um comportamento idêntico da matéria escura em todo o Universo.

Mas a matéria escura existe mesmo?

Ainda há alguns cientistas que trabalham com a possibilidade de que a matéria escura simplesmente não exista. A alternativa seria uma teoria da gravidade diferente, que explicaria os fenômenos observados pela equipe italiana, por exemplo.

No entanto, há muitas outras observações que não podem ser explicadas assim, e a grande maioria dos cientistas atualmente trabalha com a existência da matéria escura. Essa substância age como um grande atrator, "puxando" a matéria normal e permitindo que estrelas e galáxias se formem. Sem a matéria escura não existiria nem vida, e o Universo seria feito apenas de átomos espalhados por aí.

Do que é feita a matéria escura?

Ah, essa é a pergunta que todos querem responder. E quem conseguir ganha um prêmio Nobel na certa.

Muitos laboratórios no mundo buscam a resposta, de formas diferentes e criativas. A grande dificuldade é que a matéria escura não interage com a matéria normal como átomos comuns. Não podemos construir um detetor que registre a passagem dessas partículas como em uma foto. Dessa forma dependemos de experimentos como o Xenon1T, um tanque gigantesco com uma tonelada de xenônio que é sensível o suficiente para "enxergar" quando uma partícula de matéria escura passa ali dentro.

No entanto, essa sensibilidade depende do modelo de matéria escura considerado. Até agora, fizemos testes parecidos – e nada foi encontrado. Será que conseguiremos encontrar a matéria escura em breve? Fiquem ligados, porque quando acontecer será uma descoberta importantíssima!

Sobre o blog

O assunto aqui é Astronomia, num papo que vai além dos resultados. Conversamos sobre o dia-a-dia dos astrônomos, como as descobertas são feitas e a importância da astronomia nacional — afinal, é preciso sempre lembrar que existe pesquisa científica de qualidade no Brasil!

Sobre o autor

Thiago Signorini Gonçalves é doutor em Astrofísica pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia. Atua como professor de Astrofísica no Observatório do Valongo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e é coordenador de comunicação da Sociedade Astronômica Brasileira. Utilizando os maiores telescópios da Terra e do espaço, estuda a formação e evolução de galáxias, desde o Big Bang até os dias atuais. Apaixonado por ciência, tenta levar os encantos do Universo ao público por meio de atividades de divulgação científica.

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