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Uma estrela está prestes a morrer. Conseguiremos ver o fenômeno?

Thiago Signorini Gonçalves

04/01/2020 04h00

 

Impressão artística da provável aparência de Betelgeuse (ESO/L. Calçada)

Feliz ano novo a todos e todas! Recentemente, temos visto muitas notícias sobre Betelgeuse, na constelação de Órion. É em geral uma das dez estrelas mais brilhantes no céu. Também sabemos que é uma supergigante vermelha, o que quer dizer que essa enorme estrela está prestes a morrer.

Os boatos aumentaram quando divulgaram a notícia de que a estrela está ficando mais fraca; embora já se soubesse que seu brilho é variável, atualmente ela tem a menor luminosidade em pelo menos 100 anos.

Isso levou à especulação de que a supernova — o esperado momento da morte explosiva de Betelgeuse, quando ela ficaria tão brilhante no céu quanto a Lua cheia — estaria próxima. Mas temos que ir com calma! Essas variações podem acontecer mesmo, e na verdade a supernova deve acontecer em algum momento nos próximos 100 mil anos. Ou seja, por mais que a ideia seja atraente, a chance de vermos Betelgeuse explodir no céu antes de nós mesmos morrermos é muito menor que 1%.

Será que já aconteceu e ainda não vimos?

Isso me leva a pensar em uma pergunta que me fazem muito: será que Betelgeuse já explodiu e simplesmente ainda não vimos porque a luz não chegou na Terra? Será que isso não é verdade para todos os objetos que vemos no céu, que estamos vendo a luz de estrelas defuntas?

Não é bem assim. Pensem que a distância até Betelgeuse é de 700 anos-luz. Se ela deve morrer nos próximos 100.000 anos, a chance de que isso tenha acontecido nos últimos 700 anos é bem, bem pequena.

Isso é ainda pior se pensarmos nas outras estrelas no céu, que devem viver por bilhões de anos, e que estão a algumas dezenas ou centenas de anos-luz de nós. A probabilidade de que ela tenha morrido na última década (o que é um piscar de olhos na escala cósmica) é mais ou menos a mesma que você, leitor ou leitora, venha a morrer antes de terminar de ler esse texto!

Sobre o blog

O assunto aqui é Astronomia, num papo que vai além dos resultados. Conversamos sobre o dia-a-dia dos astrônomos, como as descobertas são feitas e a importância da astronomia nacional — afinal, é preciso sempre lembrar que existe pesquisa científica de qualidade no Brasil!

Sobre o autor

Thiago Signorini Gonçalves é doutor em Astrofísica pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia. Atua como professor de Astrofísica no Observatório do Valongo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e é coordenador de comunicação da Sociedade Astronômica Brasileira. Utilizando os maiores telescópios da Terra e do espaço, estuda a formação e evolução de galáxias, desde o Big Bang até os dias atuais. Apaixonado por ciência, tenta levar os encantos do Universo ao público por meio de atividades de divulgação científica.

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