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Destino do universo: como a ciência imagina o futuro da existência do mundo

Thiago Signorini Gonçalves

31/03/2020 04h00

Imagem conceitual sobre a estrutura do universo (Nasa/GSFC)

Em tempos de quarentena, imagino que tem muita gente sentada em casa refletindo sobre o sentido da vida e o destino de tudo. Não posso falar muito sobre o sentido da vida, mas o destino do universo é tema de pesquisa da Cosmologia, e sobre isso cientistas podem falar um pouco, sim.

De forma mais técnica, a pergunta que fazemos é: após o Big Bang, o que acontecerá com o universo?

Até pouco tempo atrás, na década de 90, a dúvida era se o universo colapsaria. Pensem na seguinte analogia: se você joga uma pedra para o alto, ela volta a cair. Se você joga com maior velocidade, ela vai mais alto. Agora, se você lança a pedra a mais de 40 mil quilômetros por hora, ela entra em órbita e não volta mais.

A Cosmologia tinha o mesmo problema: será que com a atração gravitacional gerada pela matéria no universo, ele voltará a colapsar após o Big Bang? Ou ele "entrará em órbita", expandindo cada vez mais devagar até o fim dos tempos?

Bom, nem um nem outro. Há pouco mais de 20 anos, a descoberta da energia escura virou nosso entendimento do universo de cabeça para baixo. Vimos, então, que essa misteriosa substância está "empurrando" o universo de forma acelerada. É como se você jogasse a pedra para o alto e ela começasse a subir cada vez mais rápido. Estranho, não?

Com essa descoberta, novos modelos para o destino do universo começaram a aparecer. Um deles, a Grande Ruptura, prevê que se a quantidade de energia escura for suficiente, essa aceleração será tão rápida que, no futuro, a luz não conseguirá acompanhar a expansão do universo.

Deixaríamos de ver as galáxias mais distantes, depois as galáxias mais próximas, já que a luz não chegaria até nós. Depois as estrelas, nossos vizinhos, e finalmente as partículas de nossos corpos não poderiam se comunicar entre si. Todas as substâncias do universo se desintegrariam. É o isolamento social a nível subatômico.

Felizmente, os dados indicam que isso não acontecerá. Aparentemente a energia escura não funciona bem assim. Por outro lado, acreditamos que a expansão continuará para sempre, e após muito tempo não haverá novas estrelas sendo formadas. As antigas morrerão, e o universo se converterá em um lugar frio e escuro.

Assustador? Não se preocupem, ainda faltam dezenas de bilhões de anos para que isso aconteça. Até lá é melhor nos preocuparmos com problemas mais urgentes aqui na Terra mesmo.

Sobre o blog

O assunto aqui é Astronomia, num papo que vai além dos resultados. Conversamos sobre o dia-a-dia dos astrônomos, como as descobertas são feitas e a importância da astronomia nacional — afinal, é preciso sempre lembrar que existe pesquisa científica de qualidade no Brasil!

Sobre o autor

Thiago Signorini Gonçalves é doutor em Astrofísica pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia. Atua como professor de Astrofísica no Observatório do Valongo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e é coordenador de comunicação da Sociedade Astronômica Brasileira. Utilizando os maiores telescópios da Terra e do espaço, estuda a formação e evolução de galáxias, desde o Big Bang até os dias atuais. Apaixonado por ciência, tenta levar os encantos do Universo ao público por meio de atividades de divulgação científica.