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O que são essas manchas: Sol inicia novo ciclo e vai variar de aparência

Thiago Signorini Gonçalves

21/05/2020 04h00

Imagem ultravioleta mostra a radiação ultravioleta emitida pelo Sol durante o último máximo de atividade, em 2014 (Nasa/ SDO/ LMSAL)

Estamos entrando em uma nova era astronômica. Mas não é a era de Aquário nem nada parecido; é o começo do Ciclo Solar 25, o mais novo episódio de um fenômeno que se repete a cada 11 anos, aproximadamente.

Nem todo mundo sabe, mas o Sol varia muito de aparência dentro desse ciclo. Quando a atividade é máxima, como mostrado na imagem acima, surgem muitas manchas solares, que podem parecer como regiões escuras na superfície solar. Em períodos mínimos, como agora, quase não vemos essas regiões, e a superfície do Sol parece mais homogênea.

Com as manchas, vêm também grandes erupções solares, as chamadas ejeções de massa coronal. Essas emissões de gás ionizado, às vezes com temperaturas acima de 100 mil graus, são ejetadas a grandes velocidades do Sol. Às vezes podem chegar aqui na Terra, gerando interferência em transmissões de rádio, danificando satélites e gerando as belíssimas auroras. É por isso que a probabilidade de ver uma aurora é maior nesse período de máximo do ciclo de atividade solar, a cada 11 anos.

Origens físicas

Você deve estar se perguntando: o que causa todos esses fenômenos? A resposta é a atividade magnética do Sol, um dínamo como um gerador elétrico no interior da estrela. É o campo magnético, por exemplo, que causa o transporte de gás em forma de laço que podemos ver na imagem, com estruturas às vezes maiores que o nosso planeta.

E a física por trás disso é muito complicada. Embora os cientistas tenham dados sobre o ciclo solar desde a pré-história, não conhecemos os detalhes dos mecanismos físicos e ainda não podemos prever o momento exato do início do ciclo nem sua força. Sabemos que entre 1950 e 2000 tivemos ciclos particularmente intensos, com mais de 200 manchas no Sol durante o máximo do ciclo. No Ciclo 24, o último, chegamos apenas a 80, e a previsão é de algo semelhante para o próximo ciclo.

Cientistas solares se preparam para estudar o fenômeno com telescópios espaciais cada vez mais poderosos, capazes de observar os detalhes das erupções solares que acontecerão ao longo dos próximos anos. Isso é fundamental não apenas para entender o funcionamento do próprio Sol e outras estrelas, mas com possíveis impactos para o estudo do clima espacial e o funcionamento de equipamentos de telecomunicação.

Observando o ciclo solar

Você também pode ver o ciclo solar em ação. Mas nunca olhe diretamente para o Sol! O que você pode fazer é usar um binóculo ou pequena luneta, e projetar a imagem em um pedaço de papel ou cartão branco. Agora não há muito para ver, mas durante o máximo você poderá observar várias manchas pretas na imagem, correspondendo às manchas solares. Pode ir se preparando para 2025!

Sobre o blog

O assunto aqui é Astronomia, num papo que vai além dos resultados. Conversamos sobre o dia-a-dia dos astrônomos, como as descobertas são feitas e a importância da astronomia nacional — afinal, é preciso sempre lembrar que existe pesquisa científica de qualidade no Brasil!

Sobre o autor

Thiago Signorini Gonçalves é doutor em Astrofísica pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia. Atua como professor de Astrofísica no Observatório do Valongo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e é coordenador de comunicação da Sociedade Astronômica Brasileira. Utilizando os maiores telescópios da Terra e do espaço, estuda a formação e evolução de galáxias, desde o Big Bang até os dias atuais. Apaixonado por ciência, tenta levar os encantos do Universo ao público por meio de atividades de divulgação científica.