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Dia Nacional da Ciência: lives e tuitaço aproximam você do mundo científico

Thiago Signorini Gonçalves

08/07/2020 04h00

A ciência é um processo, não uma fábrica de resultados mágicos (Pexels)

Hoje, dia 8 de julho, é o Dia Nacional da Ciência. E acho que com a quarentena do covid-19 chegando a quase quatro meses, não preciso explicar a importância da ciência para a humanidade, certo?

Mas talvez exista um aspecto da ciência que vocês não conheçam: o processo científico. A jornada desde uma ideia na cabeça dos cientistas até o resultado final, alardeado na imprensa. Afinal, eu mesmo talvez seja culpado disso, já que mostro as grandes descobertas aqui no blog Espaço-Tempo sem necessariamente explicar o que veio antes. Já pararam para pensar na quantidade de trabalho por trás de um avanço científico?

O método científico

O método científico é um pouco como uma receita de bolo que cientistas usam em suas pesquisas: formule uma hipótese, teste sua hipótese através de experimentos e confirme ou não sua nova teoria dependendo dos resultados. Fácil, não? Errado, dificílimo.

Difícil porque precisamos ter certeza do que foi feito antes. Quais os resultados pré-existentes são importantes para nossa pesquisa? O que poderia dar errado em nosso experimento? É um período estendido de leitura e revisão bibliográfica. Afinal, a ciência não é feita por um indivíduo, mas por uma grande comunidade interconectada.

Difícil porque as coisas dão errado. Experimentos não são mágicos e podem apresentar problemas técnicos. Noites de observação em telescópios podem ser perdidas devido ao mau tempo, e teremos que esperar mais seis meses por uma oportunidade (já aconteceu várias vezes comigo). É o imprevisível, sempre dando as caras na ciência.

Difícil porque a análise de dados não é algo simples. É preciso interpretar os dados, fazer uso da estatística, refletir sobre o que está por trás daqueles resultados. Afinal, estamos tentando interpretar a natureza, e devemos pensar em todos os efeitos e propriedades que poderiam gerar aqueles mesmos resultados. Isso é evidente no desenvolvimento de vacinas, que requerem diversas etapas de teste desde o laboratório até as provas em seres humanos.

Viva a ciência

Por isso tudo, é importante mostrar ao público o trabalho duro desenvolvido por cientistas no Brasil — que além de superar todos esses obstáculos, devem lutar também contra os problemas de infraestrutura por falta de financiamento. A vacina contra a covid-19 não virá de um lampejo de genialidade, mas do trabalho duro sendo feito ao longo de todos esses meses.

Assim, para celebrar cientistas nesse dia, haverá um tuitaço com a hashtag #CientistaTrabalhando. Serão pesquisadores e pesquisadoras de todo o país mostrando que, até chegar naquele momento de "Eureka", tem muito "Ah não!", "Droga", "Ufa!" e outras interjeições impublicáveis.

Se estiverem interessados, sigam as postagens usando a tag nas redes sociais, e não percam os diversos eventos para celebrar o dia! Alguns exemplos:

  • A Sociedade Brasileira de Parasitologia (SBP) realiza às 11h o debate "Vacinas contra doenças parasitárias" com a participação de Miriam Tendler (IOC/Fiocruz) e Ana Paula Fernandes (UFMG);
  • Mais tarde, o Museu da Vida da Fiocruz recebe Aryella Maryah Correa e Roberta Lemos a partir das 15h para um bate-papo sobre Farmacologia e Saúde Coletiva. Live no perfil do Instagram;
  • Às 18h, a Força-Tarefa do Amerek, curso de especialização em comunicação da ciência da UFMG, tem live sobre a luta contra o coronavírus com Fabiana Pinto, Nina da Hora, Marden Campos e Hugo Fernandes-Ferreira;
  • Finalmente, Ana Lúcia Tourinho, da UFMT, recebe Nadia Pontes, Lucy Souza e Rita Mesquita às 19h para falar sobre a Amazônia.

Esta coluna foi produzida especialmente para a campanha #CientistaTrabalhando, que celebra o Dia Nacional da Ciência. Ao longo do mês de julho, colunistas cedem seus espaços para abordar temas relacionados ao processo científico, em textos escritos por convidados ou por eles próprios.

Sobre o blog

O assunto aqui é Astronomia, num papo que vai além dos resultados. Conversamos sobre o dia-a-dia dos astrônomos, como as descobertas são feitas e a importância da astronomia nacional — afinal, é preciso sempre lembrar que existe pesquisa científica de qualidade no Brasil!

Sobre o autor

Thiago Signorini Gonçalves é doutor em Astrofísica pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia. Atua como professor de Astrofísica no Observatório do Valongo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e é coordenador de comunicação da Sociedade Astronômica Brasileira. Utilizando os maiores telescópios da Terra e do espaço, estuda a formação e evolução de galáxias, desde o Big Bang até os dias atuais. Apaixonado por ciência, tenta levar os encantos do Universo ao público por meio de atividades de divulgação científica.