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Veja 1ª imagem de sistema multiplanetário ao redor de estrela do tipo solar

Thiago Signorini Gonçalves

22/07/2020 14h43

Essa é a primeira imagem de um sistema planetário múltiplo em órbita de uma estrela do tipo solar (ESO/Bohn et al.)

Eu adoro ver novidades assim. É incrível acompanhar como o avanço tecnológico permite que a ciência caminhe a passos largos.

Pela primeira vez, temos imagens diretas de um sistema planetário múltiplo –ou seja, com mais de um planeta– orbitando uma estrela semelhante ao Sol. Até agora, os astrônomos nunca tinham observado de forma direta mais do que um planeta em órbita de uma estrela do tipo solar. O que poderia parecer um sonho há alguns anos se tornou realidade, e em breve será lugar comum no mundo da astronomia.

A estrela TYC 8998-760-1 está a cerca de 300 anos-luz de distância, na constelação da Mosca. Embora de tamanho e massas semelhantes ao Sol, é muito mais jovem, com "apenas" 17 milhões de anos. O Sol, em comparação, é um senhor de respeito, com seus 4,6 bilhões de anos de idade. Os planetas, com massas iguais a 14 e 7 vezes a massa de Júpiter, estão a 160 e 320 vezes a distância entre a Terra e o Sol. Por terem sido criados junto com a estrela, ainda estão muito quentes e emitem uma grande quantidade de radiação infravermelha, o que facilita sua observação pelo telescópio.

A imagem só é possível graças a um complexo sistema óptico que combina o telescópio VLT, instalado no Chile e que possui um espelho de 8 metros de diâmetro, e a câmera Sphere, capaz de corrigir pequenas distorções causadas pela atmosfera terrestre. Assim, a equipe liderada por Alexander Bohn, um estudante de doutorado na Universidade de Leiden, pode observar a estrela TYC 8998-760-1 e seus dois acompanhantes. O instrumento ainda é capaz de bloquear grande parte da luz emitida pela estrela, que de outra forma ofuscaria a imagem de modo a impossibilitar a detecção dos planetas.

Embora seja uma observação inédita, é fundamental pensar que esses avanços permitem considerar um grande número de sistemas semelhantes a serem observados no futuro. Mais ainda se considerarmos o telescópio ELT, de 39 metros de diâmetro, e o telescópio espacial James Webb, ambos previstos para os próximos anos. Seguindo os passos de trabalhos como esse, seremos capazes de estudar em detalhes as propriedades dos exoplanetas tais como temperatura e tamanho, investigando a formação de sistemas planetários e buscando mundos parecidos com a nossa Terra.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Sobre o blog

O assunto aqui é Astronomia, num papo que vai além dos resultados. Conversamos sobre o dia-a-dia dos astrônomos, como as descobertas são feitas e a importância da astronomia nacional — afinal, é preciso sempre lembrar que existe pesquisa científica de qualidade no Brasil!

Sobre o autor

Thiago Signorini Gonçalves é doutor em Astrofísica pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia. Atua como professor de Astrofísica no Observatório do Valongo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e é coordenador de comunicação da Sociedade Astronômica Brasileira. Utilizando os maiores telescópios da Terra e do espaço, estuda a formação e evolução de galáxias, desde o Big Bang até os dias atuais. Apaixonado por ciência, tenta levar os encantos do Universo ao público por meio de atividades de divulgação científica.